terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

comé que eu faço pra aprender a música da sua terra?




escuta os movimentos, escuta como se movem as pessoas, escuta as cores, escuta o sabor das comidas e escuta o siléncio...

Sino ops !

O vídeo é conduzido por imagens mestiças,

que nos conduzem em sons e silêncios.
As imagens trazem à luz o pão nosso de cada dia: música.
Algo está na pele da voz dentro do pensamento!
e lá . . . dentro do tempo de nossas horas,
no rastejar do cotidiano apressado
acontece o faz de conta da nossa estória verdadeira.
Música de suor e lágrima
de sol a pino na luz do luar
na alegria de reinventar a própria vida
no ofício do poeta sem livro
e do cantador de batuque imaginário.
O vídeo fica ali, onde vento faz curva
e dobra nosso mundo na linha do horizonte.
Surge então um desejo que se faz pergunta:
como faço para aprender
a música da sua alma?
 
Desde janeiro de 2009, começamos a registrar através de filmagens e fotografias a atividade musical da região de Mariana e Ouro Preto com a finalidade de produzir um vídeo documentário que sirva como registro significativo da memória músico-cultural da região.

Mais que nada, este trabalho é uma busca pela situação atual da música da nossa terra: o que está acontecendo com a música daqui? Quem são os músicos de hoje em dia? Como tocam? Por que tocam? Como se relacionam novos e velhos músicos? Músicas profanas e sagradas? Popular e erudita? Profissional e amadora? O poder da música quebra qualquer tipo de barreira, seja social, racial ou de gênero?

Uma viagem através das diferentes comunidades musicais da região
O profano e o sagrado
O popular e o erudito
O profissional e o amador
A música como exercício ou como momento de encontro espontâneo, como elemento aglutinador que independe de classe ou raça social

Reunião
A música como veículo de interação social
A música como identidade social
Busca pela situação atual da música: o que está acontecendo com a música hoje em dia? Quem são os músicos de hoje em dia? Como tocam? Por que tocam?
Busca pela intimidade dos músicos: o que tem um comum músicos eruditos com músicos populares? Existe um lugar para determinado tipo de música? Ou o poder da música quebra qualquer tipo de barreira?
A música define as características de um povo?


Conto de Oxóssi, 23 de junho





(barulho de água algum som meio de vento e agogô...)

Era a lua lá no céu,
A espera... a noite... era a mata...
E então as pegada da onça em cima das folha caída.
Era o arco e a flecha,
a única flecha dum arquero pelado

era os trilhos,
o brilho do oio da onça
a mão do arqueiro
a lança
o corpo
o céu
o chão
o céu
o chão...

a pata
o nada
o nada e o vôo da flecha,
da mata, a mata, o corpo que cai

(começa o toque aguerê de Oxossi)

O caçador arranca sua flecha do corpo que caiu
(...)
o caçador tem só uma flecha

(ponto de Oxossi)

Assim chega abril de 1500. Marinheiros recolhem velas e baixam âncoras. Os navios vão esperar o dia para se aproximar da costa. Na proa do seu barco, um homem não tira os olhos da terra que a noite vai apagando.


(tempo de música)

Foi-se um tempo em que
Amanaci é que era a mãe das chuva.
Um dia ela chorou pro chão e do chão brotou Apaoká, uma árvore grande, enorme... com sangue de clorofila e tetas de mulher, que num dia de lua nova, deu a luz a um menino vermelho, um curumin.

Aondê, Auá, caburé, etê.


Dentro do silêncio do coração da mata profunda, Apaoká, a Jaqueira nina seu curumim nessa noite de luar branco.


O ventre verde e úmido da selva foi o berço do curumin.
Os pé virado do curupira, as escama briante de boitatá mãe do fogo,
as barbas do homi que vira onça.

se enluxar com brinco de dente de onça


Era as sete estrelas no céu...
Era essa ciranda...
sol que gira ao redor da terra, lua que gira ao redor do sol.
e no embalo dessa roda,
um dia o curumim cresceu e virou moço.

Ganhou das estrelas um chapéu enfeitado com pena de avestruz e lembrou que antes tinha sido o pai de todas as abelhas e o rei dos elefantes.


vai curumin homi, vai andar pelos labirinto da mata...
passa na pele esse pó vermelho pra te proteger dos espírito da morte...
VAI ver arara, tatu, arucum,
Vai achar o homi de uma perna só pitano caximbo e mexeno caldo grosso no caldeirão.

Tá veno esse aí?
Esse aí é Ossanha, feiticeiro, pai das folhas, senhor da muleta e do búzio.
Esse aí é Ossanha, que deu um negócio cheiroso pro curumin tomar...

(xic xicx, som meio de pajelança, de xique-xiques, que começa muito suave, depois vai aumentando)

ruissanê, iembé, iaê....
nha nhen nhem... hemnhemnhem

nham nhemnhem nhem
escama de dragão, espiga de milho, serpente alada...

então, Abati... o cabelo de milho da menina que brinca no balanço,
menina gangorra no céu,
céu gangorra na menina...
no céu
no chão
no céu
no chão
nhe nhem?? Nhem? Nhem? ...

De onde vem? Pra onde vai? 
Das naus errantes
Quem sabe o rumo
se é tão grande o espaço?

Cascavel!!!!!!!
dá-me estas tuas asas.

Nhenhamnhenhemnhem nhemnhem
chuva de estrela caíno na cabeça do mundo...
e no jardim, yasaí, fruta vermelha que chora...

cascavel!!!!!! Dá-me tuas asas...

o bruxo milagrêro enfeitiçou o moço e
lhe contou todos os segredos das folhas e das misturas mágicas, tudo que cura e tudo que mata,
lhe mostrou cada rio estrada bicho raiz ...
Cardo-santo, Catingueira, Cunanã, Juazeiro

O mago lhe mostrou o chão, cada pio de pássaro, cada raiz, rio, estrada, estrela ...
Cefei coronae borealis pegasi scuti

Lhe deu o poder de enxergar pelas costas, pra poder ver tudo o que passava ao seu redor.

nhe nham nhemnhem nhanhemnhem ...

do clarão da lua, a espada de um irmão. Foi Ogum, o ferreiro, que que entrou pela floresta adentro pra buscá o curumim vermelho. Achou o velho com uma perna só, e com ele, o filho de Apaoká.
Então o ferreiro libertou o curumim e lhe deu um arco e uma flecha, uma flecha só, que é pro menino nunca errar seu alvo.
E o curumim virou caçador.
flechar;
caçar;
pescar;

Falou assim pra ele,
que ele era o Pai das abelhas. O Rei dos elefantes. Alaketu. Caboclo Deus Orixá, ponte entre o que foi e o que será.
o Rei de Ketu, filho e pai da fotossíntese.

As almas da floresta lhe chamaram de Oxossi, o arqueiro do olho no escuro da noite. O arqueiro que só tem uma flecha.

nhenhenhém nhem nhem...
nhamnhemnhemnhamnhamnhamnhemnhem...

Então

ele amou o vento e o rio...
ele olhou pro rio e viu espelho
olhou pro vento e viu o ar...

aí o vento foi embora e deixou um filho deles pro rio cuidar...

... pra ele se enredar emaranhar se embrenhar pelo afluentedosafluentedodoafluentedoafluenteafluenteafluentedosafluentes do rio e...
nhenhenhém nhem nhem...

 A –ba - ti... Ca-be-lo de milho
a - ba - ti... cabelo de mel...
menina no balanço,
balanço na menina
menina na gangorra menina no céu,
céu na gangorra menina na gangorra, gangorra no chão...
no céu
no chão
no céu
no chão
...














Mariana, 9 de outubro de 2009

Yemanjá, la madre de los hijos pez


(Ruídos acuáticos, de aguas)
Era un libro amarillo arriba de la mesa… Has una pregunta que el libro te contestará…
Un canto lontano nel ventre del vento
Una barca che viene sopre le onde del mare
Il cappelo de un pescatore
Una candela che si spegne
Una vela que se apaga
 Los siete planetas y tres lunas escondidas
Sal Sol Sal  Sol Sal Sur ….
el mar...pétalos de rosa blanco que hundense en el misterioso mar...
Has una pregunta que el libro te contestará…
(Musica)
Dicen que de una explosión nació el mundo… una bola de fuego girando estática en la oscuridad…
Del baile de los fuegos, un remolino.
Del remolino, Olorum creó una cola plateada de pez, que giró mucho…
(Instrumento de soplo)
De sus giros, nació un dorso de mujer, sus senos y hombros. De su cabeza, brotó una cabellera plateada que brillaba como la luna. Esa fina cabellera no paraba nunca de crecer y dio 7 vueltas a la tierra y dio vida a todos los peces, conchas, algas y ballenas.
(Ruidos de agua y aire)
El hombre lleva su destino atado a su cuello
¿que es el destino?
¿Por que atado al cuello?

Al ver su bella hija Olorun le regaló los 7 mares, por que no había más, un abanico de plata, un ancla, para que pudiese descansar, la luna llena y una estrella.
Le dio 7 nombres.  Dandalunda, sirena sagrada.  Iara, útero fecundo. Janaína, reina del mar. Quissimbé, señora de los océanos. Macunan, madre que llora. Inaê, diosa de las perlas. Yemanjá, la madre de los hijos pez.
 Sus nombres no deben ser pronunciados por quien la tenga asentada sin antes tocar la tierra con las yemas de los dedos y besar en ellos la huella del polvo.tocar la tierra con las yemas de los dedos y besar en ellos la huella del polvo...

La dueña de las aguas desde entonces que reinó pretejiendo a los peces y a los hombres peces, puertos, marineros y putas, que confortan a los marineros en las noches de tempestades. y a todos los hombres,  por los 9 meses que nadamos como peces en la placenta de nuestra madre.

(((((((( Has una pregunta que este libro te contestará…
Te olvido pero eres yo. Te olvido pero eres yo… ¿te olvido?

(¿tambor e canto)
“el pescador cuando escucha el canto de la sirena quiere irse con ella para el hondo del mar”

Sal. Sol. Sal. Sol. Allá. Acá, norte. Sud.

Perdió la pista… tierra a no vista… susurro… crepúsculo… los rayos de la luna reflejados en los pelos de una diosa pez…
En los cielos, Yemanjá fue esposa de Oxalá. Y de sus hartos senos, nacieron los diecisiete Orixás.

En la tierra, fue esposa de un poderoso Rey Yoruba, Okeré. Hombre bello y violento.

fskdjfksdjfsdjfdofodkfodkfodkf

Un día, Yemanjá decide irse de casa, huir de Okeré.

(Tambores….)

Aquello vuelve loco a Okere, que tiene cólera………
 Rey poderoso, Okere llama a sus soldados…  iros, soldados, iros ya a buscar Yemanjá para Okere…


 El Cielo y el Infierno están en mi?
(¿Ruidos de pies corriendo?) voces, sonidos raros, ifdsufposdfusdfi`pdsif`spdofdp

Ay, Yemanjá, date prisa, huye ligera de los soldados de Okere,
ay, Yemanjá, vuela, transfórmate en río, que el río puede correr hasta el mar…

(Ruidos de agua)
yemanjá es de água, rio fluido, vena salada, caracol, timon, sol...

Ay, pero Okere, tiene cólera… sus pies adentran en la tierra y sus manos se transforman en dura piedra… Okere ahora es una enorme montaña que no deja que el río pueda fluir hasta el mar…

)))))))))))))) ruídos, musica

como nasce un tornado, un huracon? el ojo del viento?

contrastes térmicos, vientos ascendientes e descendientes, el aire llenase de una electricidad viva... ions, protons, neutrons, fé...

el cuerpo del rio-diosa empieza a moverse como las olas del oceano, suavemente pero luego agitado como una tormenta. empeza a girar como un remolino, que sube del suelo al cielo....

el remolino carga el aire de eletricidad ... y así nasce xangô, orixá obá, rey señor de los truenos ...

recien despierto del sueño eterno, xangô acaricia el viento con las manos y lanza dos fuertes rayos
 en Okere-montaña, que se parte por la mitad…  
Y todos los seres y piedras y calles del mundo se dividen en dos. Y por entre todas las cosas, la madre de las aguas flotaba y podía ahora fluir libre hasta llegar en el mar… y hasta más allá del mar…

Pregunta lo que quieras a este libro…. Que él te contestará….

Desde el cielo, como era lindo la cabellera de plata que contornaba el espacio… Todo lo demás volando, hasta el fin de los tiempos. Y todo lo que se ha dividido, sigue buscando su otra parte…


¿Y que pensabas tú, que me iba a morir de hambre?

curdistão sirio


Ao entardecer, estamos com todos os gordos e corpulentos chefes da família, seus filhos e algumas poucas e tímidas mulheres, sentados em tapetes e cadeiras postas numa sombra em frente à casa. Tomar o chá ou o suco artificial de laranja e ver o tempo passar...
Aqui não está Alimah, pobre menina rica. Proibida de sair de casa, ela lava o quintal por ordem do irmão mais velho e me pergunta gritando se no meu país também é assim - se os homens não fazem nada e as mulheres trabalham muito, sem parar.
Aqui está Tabuch, pobre menino rico. Com seu negro traje árabe, aos oito anos de idade já foi proibido pelo pai de andar de bicicleta entre as casas de barro da vila, nas ruas mais pobres.
Aqui está Nasir, pobre rico herdeiro. Filho mais velho que sustenta orgulhoso um raquítico bigode no meio da cara. É ele quem nos apresenta a cidade e serve de tradutor das ordens do pai. À noite, nos leva à casa de um amigo seu. Estamos aí vendo estrelas na laje onde a cada noite a família se junta pra falar, calar e fugir do calor. De longe vemos o trepidar do fogo de uma estação de petróleo. Família grande que exibe orgulhosa cada filho macho como cada estrela desse céu sem nuvens.
Na volta para casa, o grande e poderoso soberano nosso anfitrião nos espera com cara de poucos amigos. Na manhã do dia seguinte alguém bate na porta da grande sala onde dormíamos. Então aqui está Nasir, este que nos leva sem muito humor ao ponto de ônibus e nos mete na primeira van que passa em direção a qualquer lugar que não seja essa vila. Acho que fomos expulsos... ai...  

para a querida flor


querida flor... essa grande árvore é um baobá. é  a árvore mãe de todas as árvores... e de todas flores, então essa é outra mãe sua... dizem que quando os africanos vieram escravizados para o brasil, dizem que os feiticeiros contratados pelos colonizadores traziam os baobás das áfricas para enfeitiçar os escravos para que esses não se lembrassem nunca de sua terra e não se rebelassem contra os brancos...
sete voltas para a esquerda... sete voltas para a direita...
flor, é preciso libertar o mundo filha, é preciso nos libertar... não esquece disso....

... se é pra nascer ...

querida ana, é bom sempre começar ou terminar por granada. é um dos úteros da terra... a partir daí a coisa fui, ou nasce, desperta, brota. sem a gente nem pensar... e o inverno, todo o frio, a face fria da lua, tudo tudo tudo isso é extremamente necessário pra que o mundo continue a girar....
ai, ana, tinha que te falar tantas coisas...