terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

curdistão sirio


Ao entardecer, estamos com todos os gordos e corpulentos chefes da família, seus filhos e algumas poucas e tímidas mulheres, sentados em tapetes e cadeiras postas numa sombra em frente à casa. Tomar o chá ou o suco artificial de laranja e ver o tempo passar...
Aqui não está Alimah, pobre menina rica. Proibida de sair de casa, ela lava o quintal por ordem do irmão mais velho e me pergunta gritando se no meu país também é assim - se os homens não fazem nada e as mulheres trabalham muito, sem parar.
Aqui está Tabuch, pobre menino rico. Com seu negro traje árabe, aos oito anos de idade já foi proibido pelo pai de andar de bicicleta entre as casas de barro da vila, nas ruas mais pobres.
Aqui está Nasir, pobre rico herdeiro. Filho mais velho que sustenta orgulhoso um raquítico bigode no meio da cara. É ele quem nos apresenta a cidade e serve de tradutor das ordens do pai. À noite, nos leva à casa de um amigo seu. Estamos aí vendo estrelas na laje onde a cada noite a família se junta pra falar, calar e fugir do calor. De longe vemos o trepidar do fogo de uma estação de petróleo. Família grande que exibe orgulhosa cada filho macho como cada estrela desse céu sem nuvens.
Na volta para casa, o grande e poderoso soberano nosso anfitrião nos espera com cara de poucos amigos. Na manhã do dia seguinte alguém bate na porta da grande sala onde dormíamos. Então aqui está Nasir, este que nos leva sem muito humor ao ponto de ônibus e nos mete na primeira van que passa em direção a qualquer lugar que não seja essa vila. Acho que fomos expulsos... ai...  

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