É sobre um vago certo estado das coisas... O que fica de cada lugar estado, de cada cidade pisada? Quanta gente tocou nessa nota de dez rúpias? Quem tocou nessa nota? O que fica no final de tudo? O sentimento raro de compartir um pôr-do-sol com um anão. Ou o olhar trocado com uma mulher que volta do trabalho do campo a casa. Olhar olhado. Depois o sorriso e o riso, que a gente se entende apesar de não haver conversado nunca. Que uma é cúmplice do que a vida fez com a outra. Eu sei como é a textura das suas mãos de enxada e semente. Ela conhece todas as minhas debilidades e espaços vazios. O que fica no final de tudo? De cada tijolo elétrico, de cada sorriso por trás de cada véu, de cada cigarro fumado por um motorista de caminhão turco, de cada azeitona e copo de chá? Parece mesmo que de tudo isso, só fica alguns versos de um persa, Omar Kayan, que diz que “o vasto mundo, um grão de areia no espaço. A ciência dos homens: palavras. Os povos, animais, as flores dos sete climas: sombras. O profundo resultado da tua meditação: nada de nada.”.
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