segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

::: redemoinhos


 
O que haverá de humano em um tijolo? E na eletricidade?
Pelo caminho, só o céu não tem cor de barro. E o véu da mulher que puxa o burro.
Três chaminés de fábricas de tijolos. Sete pequenos redemoinhos de vento e de pó. O burro, a mulher e as pilhas de tijolos de barro. Um menino deitado preguiçosamente em um carrinho de mão.
(Como nasce um furacão?)
Mãos que plantam árvores no deserto...
Tudo aqui é de uma só cor. Menos o trem que passa.
É deserto, mas já não faz tanto calor nessa época do ano...
(Antes de qualquer coisa: as ruínas da Babilônia estão soterradas em algum canto do Iraque.)
Mais de 60 chaminés e alguns pequenos protótipos de furacões.
Qualquer coisa de delírio tem essa imagem.
Qualquer coisa de abandono.
Versos de barro. Como se cada tijolo fosse uma palavra de uma língua estrangeira.
E um cemitério com lápides que são pedaços de pedras metidos na terra. A mão que fez tanto tijolo na vida e que agora descansa anônima e em paz num cemitério de barro.
O trem apita sem parar. Balochistão. Paquistão. É a estação de Queta...

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