Ser mulher forasteira em terras árabes muçulmanas é poder sentar-se na sala com os homens e na cozinha com as mulheres. É escutar murmúrios de lamentos femininos. Contra o machismo. Contra os desafetos. Contra as outras mulheres do marido.
Ser mulher forasteira em terras árabes muçulmanas é um doce convite ao trabalho doméstico. Ajudar a ralar o pepino. Carregar no colo a criança bebê. Tirar leite das tetas de uma vaca. Olhar as vitrines das lojas de lingerie. Ser convidada em tom de intimação a dançar a dança do ventre na sala de uma casa de sete mulheres. Ter o cabelo penteado com azeite de oliva e a boca pintada de vermelho carmim. Sussurrar uma canção conterrânea. Ganhar pares de brinco, blusa de manga larga, batom e três anéis pra enfeitar o dedo. Porque mulher aqui tem que gostar de se enfeitar. E estar sempre linda por baixo de seus sete véus. E ter olhos que falam qualquer língua do mundo porque tiveram que aprender a falar com o mundo através dos olhos. E, muitas vezes, a calar os olhos para não abrir a boca.
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