É em Anz que estão guardadas por baixo da terra as sete cidades de pedra do oriente.
Anz é um desses lugares em que só se chega por uma casualidade ou por uma sorte qualquer. Perdida pelas veredas dos áridos sertões sírios. Protegida por seu anonimato.
Em Anz você pode sentar–se em uma de suas pequenas praças e esperar que passe algum morador, que se aproximará, perguntará seu país, seu nome e para onde você está indo. Depois talvez te convide para fazer um passeio pelas ruínas, quando talvez você conheça Rose, que pode estar voltando naquele momento de sua diária peregrinação ao templo de pedras com aparência de improviso, aonde rezam católicos ortodoxos, muçulmanos e drus por seus mortos há muitos séculos e séculos. Amém.
Então Rose vai se apresentar em seu fluente francês como libanesa, mulher de 63 anos que já viveu mais da metade de sua vida em Anz. E então Rose talvez te ensine o caminho para chegar à passagem secreta que te transporta às sete submersas cidades subterrâneas. Por onde passaram babilônicos, fenícios, gregos, romanos, árabes... Passaram e deixaram marcas. Veio o vento. Veio a poeira. A erva daninha. E cobriu Anz, que nem no mapa está sinalizada. E mesmo entre os moradores da vila, que vivem quase todos em ignorância sobre o que existe por debaixo do chão que pisam, apenas poucos sabem da entrada para as cidades secretas e tudo isso tem que ser falado em voz baixa. Shiiiiiiii... A porta de pedra. O sinal esculpido em cima da janela. O túmulo do ferreiro e da moça mais bonita da vila. O túnel que liga o templo a essa casa. O muro que protege o templo. O forno dessa cozinha.
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